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PROGRAMA CULTIVANDO ÁGUA BOA

APRESENTAÇÃO
Maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia, a Itaipu dedica cuidado especial à preservação de sua matéria-prima insubstituível, a água.
Criado para cuidar da água, do solo e da vida, o programa Cultivando Água Boa desenvolve iniciativas de sustentabilidade ambiental em 29 municípios da área de influência da usina, a Bacia Hidrográfica do Paraná III.
Ao todo, são 20 programas e 63 projetos/ações de responsabilidade socioambiental desenvolvidos na verdadeira unidade de planejamento da natureza, que é a bacia hidrográfica.
Calcado na metodologia do PDCA (sigla em inglês que corresponde a planejar, fazer, checar e agir), o Cultivando Água Boa envolve parceiros locais em cada uma de suas ações, trabalhando co-responsabilidade.
Disso decorre a ampla participação da comunidade: ao todo, são 2.146 instituições parceiras, entre universidades, órgãos de diversas esferas governamentais, ONG’s e associações.
O caráter plural e diversificado do Cultivando Água Boa garante a gestão compartilhada dos cuidados com o meio ambiente e com o ser humano e aponta para um caminho de esperança na construção coletiva de um lugar ambientalmente correto para se viver.
Premiado no exterior, o Cultivando Água Boa tem como missão garantir a qualidade da água que chega ao reservatório da Itaipu, tanto para a produção de energia como para o abastecimento humano.
Com as medidas implementadas, diminui a quantidade de sedimentos lançados no lago e aumenta a sua vida útil.
Baseado na ética do cuidado com o futuro sustentável do planeta, o Cultivando Água Boa segue princípios e compromissos estabelecidos em pactos nacionais e internacionais como a Carta da Terra, a Agenda 21, as Metas do Milênio, as propostas da Conferência Nacional de Meio Ambiente, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e as políticas públicas do governo federal.
O programa tem três grandes eixos: água e solo, biodiversidade e educação ambiental. No primeiro eixo, o objetivo é eliminar os pontos de poluição, especialmente os efluentes das atividades produtivas, como as pecuárias bovina, suína e de aves, a produção de peixes e a agroindústria, além da contaminação resultante da presença humana (lixo e esgoto).
Vale lembrar que a região em que se situa o reservatório da usina concentra boa parte da produção agropecuária paranaense, principalmente a bovinocultura de leite, a suinocultura e a avicultura. Responde, por exemplo, por quase a metade da produção de suínos do estado.
Já o eixo da biodiversidade abrange projetos voltados à preservação da fauna e da flora, como o Canal da Piracema, os Corredores de Biodiversidade, o monitoramento de espécies ameaçadas de extinção e de áreas protegidas, e também as ações desenvolvidas no Refúgio Biológico Bela Vista, que abriga um hospital veterinário que está entre os mais bem equipados do país.
O eixo da educação ambiental é transversal. Permeia todas as ações da Itaipu voltadas ao meio ambiente, com apoio a segmentos econômicos considerados críticos, como comunidades de pescadores, indígenas e de assentamentos, pessoas que sobrevivem da pesca, coleta de lixo e da agricultura familiar. Para que cada uma dessas ações se perpetue, é necessário conscientização.
BIODIVERSIDADE
Uma das diretrizes do programa Cultivando Água Boa é a preservação e recomposição da biodiversidade regional.
Para isso, inclui projetos e ações voltados à preservação da fauna e da flora, como o Canal da Piracema, que realiza estudos e pesquisas sobre a diversidade ictiofaunística e promove a formação de bancos de germoplasma.
Uma ação do Cultivando Água Boa, o Corredor de Biodiversidade vai ligar as áreas protegidas de Itaipu com o Parque Nacional do Iguaçu, de modo a estabelecer uma interconexão também com o Parque Nacional de Ilha Grande.
No Refúgio Bela Vista, o Cultivando Água promove estudos e pesquisas sobre a reprodução de animais silvestres e o atendimento de animais no Hospital Veterinário, além do monitoramento de espécies ameaçadas de extinção e de áreas protegidas.
Outra iniciativa de conservação da biodiversidade do Cultivando Água Boa envolve a produção e o plantio de mudas para a faixa de proteção do reservatório e a recomposição da mata ciliar em propriedades rurais. Somente em 2008, serão produzidas 525 mil mudas.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Todo o processo de implantação do Cultivando Água Boa passa pela sensibilização e conscientização das pessoas envolvidas e da comunidade em geral, com a disseminação de valores e saberes que contribuam para a formação de cidadãos dentro da concepção da ética do cuidado e do respeito com o meio ambiente.
Por isso, em cada uma das 29 microbacias da Bacia do Paraná III, há um comitê gestor atuando em parceria com a área de educação ambiental.
O primeiro passo são as Oficinas de Futuro, em que a comunidade é provocada a elaborar a Agenda 21 do Pedaço, que compreende a identificação dos danos causados ao meio ambiente, a autocrítica e o compromisso de corrigir os erros e adotar uma nova conduta.
Após uma série de encontros, é assinado o Pacto das Águas, a celebração de um compromisso de comunidades e gestores públicos da Bacia do Paraná III com a preservação ambiental.
Paralelamente, Itaipu é a instituição-âncora do programa de Formação de Educadores Ambientais (FEA) na região, que capacita 300 profissionais dos mais diversos segmentos da sociedade.
O FEA, que conta com o apoio de 43 instituições e 34 prefeituras, foi implantado de forma pioneira no país em Foz do Iguaçu. O objetivo é deflagrar um verdadeiro processo cultural, de modo a incorporar a educação ambiental na vida comunitária.
Quando formados, os educadores não serão remunerados, mas vão atuar como multiplicadores dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, contribuindo para a difusão das práticas ambientais dentro de seus modos de vida.
Outra linha da educação ambiental em Itaipu são as ações desenvolvidas no Complexo Turístico, especialmente no Ecomuseu. A idéia é amenizar os impactos socioambientais causados pelos bairros próximos à hidrelétrica sobre os remanescentes de mata localizados nessa área.
São quatro os projetos executados com esse intuito: Eureka, para as escolas da cidade, Ação Cidadã, desenvolvida com creches, e dois outros exclusivos para as comunidades do entorno (Grupo Comunidade Crescer, para crianças, e Varanda, para as famílias).
Têm também o apoio do Cultivando Água Boa os programas Jovem Jardineiro, que inclui aulas de educação ambiental para jovens de baixa renda, e o Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata, que vai desenvolver projetos educacionais presenciais e à distância.
GESTÃO POR BACIAS
Com o programa Cultivando Água Boa, a Itaipu passou a adotar a gerenciamento ambiental por bacias, sub-bacias e microbacias, em vez da gestão geopolítica.
O novo modelo compreende afluentes e subafluentes do Rio Paraná desde a nascente. O primeiro rio a ser monitorado dentro do novo método foi São Francisco Verdadeiro, que nasce em Cascavel, no Oeste do Paraná, e percorre 150 km até desaguar no reservatório de Itaipu.
Nesse percurso, passa por 11 municípios e 10 mil propriedades. O São Francisco Verdadeiro é apenas um dos 13 grandes rios que fazem parte da Bacia do Paraná III, que tem 880 mil hectares.
A gestão por bacias, sub-bacias e microbacias busca eliminar pontos de poluição, além de preservar e recuperar o ecossistema da Bacia do Paraná III, especialmente rios, solo e florestas, de modo aumentar a vida útil do reservatório da Itaipu por meio da redução do assoreamento e da poluição do lago.
Com a gestão por bacias, sub-bacias e microbacias, a Itaipu espera reduzir a chagada ao reservatório de efluentes das atividades produtivas, como as pecuárias bovina, suína e de aves, a produção de peixes e a agroindústria, além da contaminação resultante da presença humana (lixo e esgoto).
Neste sentido, envolve os municípios, proprietários rurais e demais atores sociais, com a formação de comitês gestores, que são parceiros na adoção de um conjunto de tecnologias e ações ambientais.
Para cobrir cada uma das bacias, o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) desenvolveu um software livre de geoprocessamento, o Sig@ Livre. Os técnicos alimentam o programa com os dados e obtêm um mosaico da situação dos rios, incluindo um diagnóstico da situação das propriedades rurais (se foram respeitadas a área de reserva legal e a mata ciliar, por exemplo).
A comunidade também é uma fonte importante de informações sobre o que precisa ser feito. Essas informações são transmitidas por meio das Oficinas de Futuro, promovidas pela equipe ligada à educação ambiental.
Com o relatório completo, o próximo passo é lançar mão de ações específicas, para cada rio e cada propriedade. O projeto envolve acadêmicos de nove instituições de ensino, entre elas a Unioeste, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a PUC.
Associado ao processo de limpeza dos rios, está um projeto de produção de energia a partir da biomassa, que conta com o aporte de R$ 1 milhão da Eletrobrás. A idéia é aproveitar que a região é forte produtora de suínos e de aves, e utilizar os resíduos dessas culturas na geração de eletricidade.
Somente a suinocultura tem potencial para gerar 36 MW, o equivalente a uma pequena central hidrelétrica. A energia será utilizada no abastecimento das cerca de 5 mil propriedades do local e os produtores poderão, ainda, comercializar o excedente, vendendo energia para o sistema.
A Itaipu investiu US$ 110 mil na parte tecnológica do projeto, que tem um software livre como plataforma.
SUSTENTABILIDADE REGIONAL
O programa Cultivando Água Boa inclui projetos e ações voltados à qualidade de vida na região da Bacia do Paraná III, com apoio a segmentos econômicos considerados críticos.
As iniciativas de sustentabilidade regional do Cultivando Água Boa buscam promover o desenvolvimento auto-sustentável de comunidades indígenas, assentamentos, pescadores e pessoas que sobrevivem da coleta de lixo e da agricultura familiar.
O programa provoca uma mudança cultural, na maneira de ser, agir, produzir e consumir dessas populações, que passam a se engajar na conservação do meio ambiente.
Em parceria com prefeituras, o projeto Coleta Solidária é um trabalho de organização dos catadores de materiais recicláveis na região, autênticos agentes de proteção à natureza ao coletarem resíduos que vão para a reciclagem.
Nos Parques Aqüicolas, o Cultivando Água apóia pescadores que montaram uma cooperativa para comercializar a produção. A Itaipu fornece os tanques, os juvenis (peixes que acabaram de sair do estágio de larva) e ração para começar a produzir.
Técnicos do programa Cultivando Água Boa também orientam os produtores rurais da Bacia do Paraná III a aderir à agricultura orgânica e às culturas alternativas, de modo a melhorar a qualidade do solo.
Os pequenos produtores da agricultura familiar recebem atenção especial. O Cultivando Água Boa disponibiliza assistência técnica e infra-estrutura para que mais de 500 famílias tenham condições de obter renda e qualidade de vida no campo.
Da mesma forma, os povos indígenas remanescentes na Bacia do Paraná III, da comunidade Avá Guarani, recebem apoio para que alcancem a independência econômica e possam se manter com autonomia.
Outra iniciativa do Cultivando Água Boa oferece cursos de educação e saúde popular para estimular o uso de plantas medicinais, garantia de vida saudável.
PREMIOS
A apresentação do Cultivando Água Boa em diversos fóruns de discussões sobre o meio ambiente, como os realizados em Lisboa, Zurique e Londres, lhe rendeu reconhecimento internacional. A Universidade de Piza (Itália) está acompanhando as ações a pedido da Comissão Européia, que quer replicar o programa na África.
Esse reconhecimento fica evidente com os prêmios conquistados, tais como o Carta da Terra, entregue em Amsterdã (Holanda), em 2005, o Prêmio Expressão de Ecologia, o Prêmio Zilda Arns de Responsabilidade Social e outro concedido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes).
Em 2006, a Fundação Coge elegeu o programa Cultivando Água Boa como a melhor ação ambiental do setor elétrico brasileiro.
Já a última premiação foi concedida pelo Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro, por Itaipu ter sido considerada a promotora da melhor ação voltada ao meio ambiente em 2007, com o Programa Cultivando Água Boa.
PUBLICAÇÕES
Confira as publicações do programa Cultivando Água Boa:
Jornal Cultivando Água Boa Edição no. 10
Jornal Cultivando Água Boa Edição no. 11
Jornal Cultivando Água Boa Edição no. 12
Jornal Cultivando Água Boa Edição no. 13
Informativo Cultivando Água Boa
Apresentação do programa Cultivando Água Boa
Projeto do V Cultivando Água Boa
Caderno Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata
Receitas saudáveis das merendeiras da Bacia do Paraná III
Círculos de Aprendizagem para a Sustentabilidade
Agricultura Orgânica na Bacia do Paraná III
Agenda 21 do Pedaço
Especial Aquicultura no Reservatório de Itaipu
Encontro Trinacional para Gestão de Águas Fronteiriças e Transfronteiriças
PROGRAMAS E PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS DO CULTIVANDO ÁGUA BOA
Programa Gestão por Bacias Hidrográficas Objetivo: Executar o manejo e conservação sustentável de água e solo nas bacias de influência sobre o reservatório de Itaipu, consolidando a gestão por bacias hidrográficas, a fim de reduzir o aporte de sedimentos, nutrientes e outros contaminantes.
Programa Educação Ambiental Objetivo: Sensibilizar e capacitar pessoas e grupos sociais para atuar, auto-educar e contribui na educação de outros para a construção de sociedades sustentáveis.
Programa Produção de Peixes em Nossas Águas Objetivo: Fortalecer a fauna íctica nativa no Lago de Itaipu e outros cursos hídricos, assim como apoiar a pesca e a aqüicultura como meio de geração de riqueza e nutrição da população regional.
Programa Biodiversidade Nosso Patrimônio Objetivo: Contribuir para a manutenção e melhoria da variabilidade genética da flora e da fauna silvestres regionais, visando a sua perpetuação.
Programa Gestão da Informação Territorial Objetivo: Operar um Cadastro Técnico Multifinalitário e outros procedimentos, com pessoal adequado, que possibilite a sistematização das informações históricas e atuais da bacia de contribuição direta do Reservatório.
Programa Saneamento da Região Objetivo: Implantar e manter o saneamento básico na Usina Hidrelétrica de Itaipu e áreas próprias da Entidade, e contribuir para a melhoria do saneamento básico na região de seu interesse.
Programa Monitoramento e Avaliação Ambiental Objetivo: Realizar diagnósticos e avaliações ambientais do reservatório e área de influência, a fim de fornecer parâmetros e indicadores que orientem e atestem os aspectos ambientais controlados por ações que são desenvolvidas no Reservatório e na Bacia Hidrográfica.
Programa Valorização do Patrimônio Institucional e Regional Objetivo: Resgatar, preservar, valorizar e difundir o patrimônio histórico-cultural, técnico-científico e ambiental da Itaipu, tornando-se um verdadeiro instrumento de conhecimento, comunicação e educação entre as gerações presentes, passadas e futuras.
Programa Desenvolvimento Rural Sustentável Objetivo: Realizar ações complementares às do Governo Federal, na busca de fixação das populações rurais nas localidades de interesse da Itaipu, por meio da produção agropecuária ambientalmente sustentável de autoconsumo e renda.
Projeto Plantas Medicinais Objetivo: Apoiar e incentivar a adoção da política pública nacional de plantas medicinais e fitoterápicos pelos municípios da BP3. Resgatar a cultura do uso de plantas medicinais, fornecer remédios sem ou de baixo custo para a populações de baixa renda, dar alternativa de agregação de valor às pequenas propriedades e conservar a biodiversidade medicinal.
Projeto Coleta Solidária Objetivo: Organizar, instruir e incluir socialmente os catadores, viabilizando o aumento da renda, educação, capacitação e melhoria de sua qualidade de vida e dos familiares, em áreas de interesse da Entidade.
Projeto Jovem Jardineiro Objetivo: Promover a inclusão social de jovens de famílias carentes por meio da formação integral e profissional em jardinagem e paisagismo.
Projeto Sustentabilidade das Comunidades Indígenas Objetivo: Apoiar a melhoria da infra-estrutura nas aldeias indígenas da área de influência de Itaipu, possibilitando a valorização cultural e apoiando a produção agropecuária, artesanato e outras atividades para melhoria da qualidade de vida.
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