O mundo caminha rumo à insustentabilidade

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Fonte: http://oglobo.globo.com/rio20/o-mundo-caminha-rumo-insustentabilidade-5132807#ixzz1x3fQcJpV, extraído em 06/06/2012 às 07:13 hs.

 

Segundo relatório do PNUMA, de 90 metas internacionais para o meio ambiente, apenas quatro tiveram avanços significativos

 

RIO - O mundo está acelerando numa direção ‘insustentável’ apesar dos mais de 500 acordos internacionais que tem como foco o desenvolvimento sustentável e o aumento do bem estar humano. Esta foi a conclusão da quinta edição do Panorama Ambiental Global (GEO-5), que foi apresentado nesta quarta-feira, no Rio, pelo diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner. O documento envolveu cerca de 600 especialistas em meio ambiente ao longo de três anos e está sendo lançado simultaneamente em dez cidades mundo afora.

 

Lançado às vésperas da Conferências das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o relatório avaliou 90 das principais metas ambientais no mundo e descobriu que apenas quatro tiveram avanços significativos. Além disso, houve “algum avanço” em 40 metas; pouco ou nenhum avanço em 24; retrocesso em oito; e em 14, a avaliação ficou comprometida devido à falta de dados. Com base nos tratados internacionais, o GEO-5 avaliou o progresso alcançado nos principais objetivos das áreas de água, solo, biodiversidade, atmosfera, produtos químicos e resíduos.

 

O documento alerta que “se a humanidade não mudar urgentemente o seu rumo, os limites críticos podem ser ultrapassados, e isto pode ocasionar em mudanças repentinas e irreversíveis à vida no planeta”. Ele ressalta que “a Rio+20 traz a oportunidade de avaliar as conquistas e deficiências, além de estimular respostas globais revolucionárias”.

 

- O conhecimento científico atual se traduz num sentimento de urgência muito grande. A expectativa é que a Rio+20 consiga entender esse senso de urgência, que os líderes políticos e a sociedade civil entendam o senso de urgência - alertou Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de PEsquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. - Em muito aspectos, de fato, nós já passamos do ponto em que poderemos exercer o futuro que queremos. Talvez não seja mais possível implementar este futuro que queremos. E em outros pontos, já estamos muito próximos dos limites.

 

As quatro metas que avançaram foram: a eliminação da produção e uso de substâncias que destroem a camada de ozônio, a remoção do chumbo de combustíveis, o aumento do acesso à água potável e o fomento de pesquisas para reduzir a poluição do ambiente marinho. Entre os acordos que tiveram retrocesso, estão os relacionados a mudanças climáticas, desertificação, seca e manutenção dos recifes de coral no mundo.

 

- O chumbo é um bom exemplo, porque não há uma convenção internacional que o regule. A indústria e a legislação de cada um dos países finalmente criou uma situação em que somente quatro países não eliminaram todo o chumbo na gasolina - afirmou Steiner. - Não precisamos para cada desafio de uma convenção internacional, mas de um Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente que tenha a capacidade de trabalhar com os países, a indústria, com a legislação e com programas voluntários. A base deste trabalho é a pesquisa científica, que dá a certeza que podemos iniciar essa transição para a economia verdade.

 

Diminuição do desmatamento da Amazônia é exemplo de sucesso

 

A falta de estatísticas é um dos empecilhos à medição dos avanços em várias áreas. O GEO-5 citou como exemplo ser “impossível avaliar as tendências globais da poluição de água doce por causa dos dados inadequados”. Índices nacionais sobre meio ambiente poderiam colocar o tema entre as prioridades das políticas públicas, apontou o relatório. Além disso, o GEO-5 ressalta que quando acordos internacionais estabelecem alvos mensuráveis há progressos consideráveis.

 

Poucos objetivos ambientais internacionais incorporam tais metas. Aquelas que o fazem são: as metas do Objetivo 7 de Desenvolvimento do Milênio de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água potável segura e saneamento básico; a Meta 11 de Aichi para a Biodiversidade de conservar até 2020 pelo menos 17% de áreas terrestres e águas interiores e 10% das áreas marinhas e costeiras

 

O GEO-5 também apresenta as políticas bem sucedidas que os países podem adaptar e implementar a fim de acelerar a consecução das metas acordadas a nível internacional. A redução do desmatamento da Amazônia foi citado como um dos exemplos de sucesso. Entre 2004 e 2011, a destruição da região foi de 25 mil quilômetros quadrados de para cinco mil quilômetros quadrados, e coincidiu com a implementação de políticas públicas, como o monitoramento e a criação de áreas de proteção.

 

- No Brasil, saltam aos olhos, como bons exemplos que podem vir a ser replicados, a eficiência energética, sobretudo na parte de certificação de eficiência; o bolsa floresta integrado a um sistema de monitoramento do desmatamento com satélites; além da parte de transportes, sobretudo a implementação dos BRTs - disse Martha Barata, pesquisadora da Fiocruz que fez parte da equipe de especialistas do GEO-5. - Por outro lado, entre os maiores desafios, está a integração entre vários setores da sociedade, incluindo a questão da governança.

 

O relatório ainda ressalta que houve pouco avanço nas metas de mudanças climáticas e poluição do ar. Análises independentes mostraram que a última década (2000-2009) foi a mais quente já registrada, e 2010 teve o maior índice de emissões gerados de combustíveis fósseis.

 

Ainda segundo o documento, “o mundo fracassou em alcançar os alvos do Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), com a redução significativa das perdas da biodiversidade em 2010”.

 

Das 30 metas relacionadas à água, apenas um delas, o aumento do acesso à água potável, teve avanço significativo, e mesmo assim, foi pouco efetivo em áreas rurais. Sobre a prevenção e controle da poluição marinha, quase nenhum objetivo foi atingido.

 

Segundo o GEO-5, o número de enchentes e secas cresceram cerca de 230% e 38%, respectivamente, entre a década de 1980 e 2000, enquanto que o número de pessoas expostas às enchentes aumentou 114%. Estima-se que o custo das adaptações às mudanças climáticas será em torno de 26 bilhões e 89 bilhões de dólares na década de 2040.

 

Com relação à terra, houve redução no desmatamento a nível global: a perda anual das florestas diminuiu de 16 milhões de hectares na década de 1990 para aproximadamente 13 milhões de hectares em 2010. Também foi avaliado como positivo o alcance de metas relativas a produtos químicos e resíduos, principalmente com relação a ações de coleta de lixo eletrônico e químico.

 

- O relatório, pela primeira vez de forma tão enfática, mostra problemas ambientais e aponta para soluções que já estão sendo adotadas em diversas partes do mundo. Porém, ao mostrar que houve avanços em apenas quatro tópicos de 90 analisados, mostra que muito pouco foi feito - analisou Haroldo Mattos de Lemos, coordenador dos cursos de pós-graudação em Gestão Ambiental da Escola Politécnica da UFRJ. - A Rio-92 discutiu, criou critérios, conceitos. Agora, está na hora de implementá-los.

 

Postado em 06/06/25012 às 20:24 hs.