Quem não tem acesso aos serviços de saneamento básico no Brasil?

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Fonte: www.pmss.gov.br, extraído em 07/07/2012 às 09:12 hs.

 

Observação: extraído do Relatório Final do ESTUDO SOBRE AS DEFICIÊNCIAS DE ACESSO E A PROBABILIDADE DE CUMPRIMENTO DAS METAS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO NOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL.

 

O perfil de quem tem acesso ou não aos serviços de saneamento será analisado através das características do domicílio e de seus moradores para o Censo de 2000. As características dos membros do domicílio serão representados pelo perfil do responsável pelo domicílio, admitindo-se que as condições socioeconômicas do responsável pelo domicílio tenham um forte impacto sobre os demais moradores.

 

Situação do domicílio - urbano

 

Observa-se que 87,3% dos domicílios urbanos são casas e 11,3% são apartamentos, porém é nesse último tipo que se encontram os domicílios com maior acesso ao abastecimento de água (96,1%), ao esgotamento sanitário (85,8%) e à coleta de resíduos sólidos (93,5%). Em contrapartida, nos domicílios do tipo cômodo (1,4%) observam-se os menores níveis de acesso à água (57,2%), esgotamento sanitário (46,1%) e coleta de resíduos sólidos (79,4%).

 

Os domicílios cedidos (8,4%) também são os que possuem os menores níveis de acesso aos três saneamentos com percentuais de 76,8%, 50% e 81,9%, respectivamente de água, esgotamento e coleta de lixo.

 

Com relação ao número de cômodos no domicílio, nota-se que quanto maior o número de cômodos, maior o acesso ao saneamento. Além disso, quanto maior o número de pessoas por dormitório menor é o acesso. Para número de moradores por dormitório acima de 3 as porcentagens de acessos aos abastecimentos à água, esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos são respectivamente, 76,3%, 48,2% e 80,9%.

 

Dentre os domicílios urbanos, aqueles localizados em áreas não urbanizadas de vilas ou cidades (0,9%) são os que se apresentam os piores cenários de acesso ao saneamento: apenas pouco mais da metade (52,5%) têm acesso ao abastecimento de água e apenas um quinto (20,4%) possui esgotamento sanitário. A parcela de domicílios com acesso à coleta de resíduos sólidos encontra-se bem abaixo (67,2%) da média dos domicílios urbanos (86,9%).

 

Como era de se esperar, os domicílios localizados em setores subnormais apresentam menor acesso ao saneamento básico comparativamente aos demais tipos de setor.

 

Infra-estrutura do domicílio - urbano

 

Observa-se que 0,9% dos domicílios urbanos não possuem iluminação elétrica, dos quais, apenas 22,3%, 9,1% e 36,5% possuem respectivamente, acesso à água, esgotamento e coleta de resíduos sólidos. Cerca de 5% dos domicílios urbanos não possuem iluminação pública, sendo que destes, pouco mais da metade têm acesso à água (55,7%) e à coleta de resíduos sólidos (57,7%). Já o acesso ao esgotamento sanitário é bem inferior (21,5%).

 

Os domicílios situados em vias sem calçamento ou pavimentação, também apresentam baixo acesso aos três saneamentos quando comparados com domicílios situados em regiões com pavimentação total ou parcial.

 

Composição de pessoas no domicílio - urbano

 

Observa-se que os níveis de acesso ao abastecimento de água são muito similares entre os tipos de famílias. Por outro lado, quando se analisa o acesso ao esgotamento sanitário, os casais com parentes (com ou sem filhos) apresentam os menores percentuais (em torno de 52%). Este padrão se repete também no acesso à coleta de resíduos sólidos, porém em patamares superiores, em torno de 85%.

 

Para a taxa de dependência do menor acima de 33% (uma criança de até 10 anos, a cada 3 moradores), nota-se uma queda no acesso ao saneamento. Por outro lado, nota-se que quanto maior a porcentagem de mulheres nos domicílios, maior o acesso ao abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos.

 

Com relação à taxa de dependência econômica, observa-se que quanto maior a taxa de dependência, maior é o acesso aos três acessos. Quanto à presença de deficientes, observa-se que quanto maior a sua presença no domicílio, menor o acesso aos três serviços de saneamento.

 

Características do responsável pelo domicílio - urbano

 

Os acessos aos serviços de saneamento nos domicílios cujo responsável é homem, apresenta-se levemente inferior ao das mulheres.

 

Com relação à idade do responsável pelo domicílio até os 52 anos, quanto maior a idade, maior o acesso ao saneamento básico. Após essa idade, o acesso ao abastecimento de água ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos sólidos oscilam em torno de 86%, 59% e 88%, respectivamente.

 

Com relação à renda total do responsável pelo domicílio em salários mínimos (S.M.) nota-se que quanto maior a renda, maior o acesso. Acima de 4,5 S.M., a porcentagem de acesso ao abastecimento de água é de 93,7%, ao esgotamento sanitário observado é de 72,4%, enquanto que à coleta de resíduos sólidos atinge o patamar de 95,0%.

 

Com relação ao abastecimento de água e esgotamento sanitário, os responsáveis de cor/raça pardos são os que apresentam os menores percentuais de acesso (77,3% e 46,1%, respectivamente). Em seguida, são os responsáveis negros e indígenas que apresentam acessos baixos. Pode-se observar que os percentuais de acesso à coleta de resíduos sólidos mais baixos, porém em níveis não inferiores a 80%, são encontrados em domicílios com responsáveis novamente pardos, pretos, indígenas e de raça ignorada.

 

Quanto ao nível de escolaridade do chefe, como era esperado, quanto maior o grau, maiores são os percentuais de acessos ao saneamento. Cabe ressaltar que os graus de acessos nos domicílios com responsáveis com 1º grau completo e 2º grau incompleto são bem similares. Dos domicílios com responsáveis analfabetos, apenas 36,4% apresentam acesso ao esgotamento sanitário, apresentando um padrão de acesso bem diferenciado dos demais.

 

Situação do domicílio - rural

 

Observa-se que quase a totalidade (98,8%) dos domicílios rurais são casas, e os demais tipos se distribuem igualmente (0,6%). Porém, são nos cômodos que se observam os menores níveis de acesso ao abastecimento de água (42,9%). Já os acessos ao esgotamento sanitário encontram-se igualmente baixos em casas (13%) e cômodos (13,8%). Entretanto, nas casas rurais são observados os menores acessos de coleta de resíduos sólidos (18,3%).

 

Os domicílios rurais próprios são os que apresentam os menores percentuais de acesso à água (50%) e esgotamento sanitário (13%). Por outro lado, o menor acesso de coleta de resíduos sólidos é observado em domicílios cedidos (16,7%).

 

Verifica-se também que quanto maior o número de cômodos nos domicílios, maior é a porcentagem aos três acessos. Além disso, nota-se que quanto maior a densidade de pessoas por dormitório, menor as porcentagens de acessos. Destaca-se na faixa acima de 3 pessoas por dormitório, os acessos ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos sólidos são de respectivamente, 38,6%, 10,2% e 16,5%.

 

Os setores rurais - exclusive os aglomerados rurais abrangem 85% dos domicílios rurais, dos quais apenas cerca de 50% têm acesso à água, 10,7% ao esgotamento sanitário e 13,9% à coleta de resíduos sólidos.

 

Os domicílios localizados em setores não subnormais (99,7%) apresentam níveis menores de acesso aos serviços de saneamento do que os subnormais.

 

Infra-estrutura do domicílio - rural

 

Como era esperado os domicílios sem iluminação elétrica, sem iluminação da rede pública e situados em locais sem pavimentação apresentam os menores níveis de acesso aos três tipos de saneamento. Merece atenção a iluminação elétrica na qual se observa um grande contraste de acesso entre os domicílios que as possuem (67,8%, 18,0% e 24,5%, respectivamente para os acessos à água, ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos sólidos) ou não (16,2%, 2,0% e 4,7%, respectivamente para os acessos à água, ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos sólidos).

 

Composição de pessoas no domicílio - rural

 

Observa-se que os níveis de acesso ao abastecimento de água são muito similares entre os tipos relações domiciliares, sendo observados percentuais levemente mais baixos nos domicílios com chefes homens, com filhos, com ou sem parentes. Este tipo de comportamento também é observado nos percentuais de acessos ao esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos.

 

Verifica-se que os menores acessos são observados em domicílios cuja faixa de taxa de dependência do menor encontra-se inferior a 17%, exclusive o zero.

 

Com relação à taxa de dependência econômica, observa-se que quanto maior a taxa de dependência, maior é o acesso aos três acessos. Da mesma forma, nota-se que quanto maior a porcentagem de mulheres nos domicílios, maior o acesso ao abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos.

 

Quanto à presença de pessoas com deficiência, observa-se que quanto maior a sua presença no domicílio, menor o acesso aos três serviços de saneamento, porém observa-se que os níveis de acessos entre domicílios com 3 deficientes e 4 deficientes ou mais são muito próximos.

 

Características do responsável pelo domicílio – rural

 

O acesso ao abastecimento de água nos domicílios cujo responsável é homem (53,4%), apresenta-se superior ao das mulheres (51,1%). Entretanto no que se refere ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos sólidos , os domicílios com responsável mulher apresenta-se superior ao dos homens.

 

Com relação à idade do responsável observa-se que até os 42 anos, e quanto maior a idade, maior é o acesso aos três saneamentos. A partir desta idade, os acessos tendem a decair com o aumento da idade.

 

Com relação à renda total do responsável pelo domicílio nota-se que quanto maior a renda, maior o acesso. Acima de 4,5 S.M., a porcentagem de acesso ao abastecimento de água é de 84,1%. A porcentagem de acesso ao esgotamento sanitário observado é de 32,2%, enquanto que a porcentagem de acesso à coleta de resíduos sólidos atinge o patamar de 39,5%.

 

Apesar da parcela dos domicílios cujos responsáveis são indígenas ser inferior a 1%, são nestes domicílios que são observados os menores níveis de acesso aos serviços de saneamento: apenas 29,4% têm acesso à água, 5,5% ao esgotamento e 10,7% à coleta de resíduos sólidos. Estes percentuais são muito similares aos observados em domicílios onde a maior instrução é analfabeto (cerca de 11% dos domicílios rurais): 27,7% têm acesso à água, 4,6% ao esgotamento e 8,9% à coleta de resíduos sólidos.

 

Postado em 07/07/2012 às 13:16 hs.